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01.02.2008 - Revista Banco Hoje

Responsabilidade diante da crise

 A principal característica do capitalismo, adotado e consolidado pela economia brasileira, é a avaliação permanente de riscos. Eles são inerentes ao sistema. Não há razão, portanto, para estranhamento diante da constatação da atual fragilidade nos Estados Unidos, com contaminação de várias economias mundiais, o que ocorre, curiosamente, no mesmo momento em que se reúne o Fórum Econômico Mundial, em Davos. E pela primeira vez, em pelo menos dez anos, o ambiente lá foi de preocupação e pessimismo.
 Alinho-me àqueles que reconhecem a liderança e competência do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Não temos que ficar nem preocupados nem pessimistas e sim atentos e operosos na nova realidade que se avizinha. Ela é, efetivamente, de crise mundial. Uma crise com contornos ainda não precisos, de natureza e duração indefinidas, mas que, com certeza, afetará o Brasil.
 A repetida afirmação de que os fundamentos de nossa economia são sólidos é, possivelmente, verdadeira. O que não nos autoriza a continuar no mesmo ritmo de compreensão defeituosa do mercado de capitais, da atração do Brasil por capitalistas internacionais, da irresponsabilidade no trato das finanças públicas que temos assistido nos últimos tempos.
 É inimaginável que se possa mudar repentinamente o modelo brasileiro, abandonando a Bovespa à própria sorte, entendendo que não há comunicação entre o mercado de capitais brasileiro e o americano, ou mesmo hostilizando investidores nacionais e internacionais, como até agora, desde o início do governo Lula, se tem feito no Brasil.
 Não haverá mais a prodigalidade de recursos, sobretudo externos, para investimentos em infra-estrutura no nosso país. Isto é certo. Entretanto, não é por isso que precisamos abandonar a apresentação, cada vez mais detalhada e responsável, das nossas necessidades e características. Não temos como financiar nossa infra-estrutura sem a colaboração de capitais de risco brasileiros e estrangeiros. E isto tem que ser sistematicamente apresentado. Como os recursos vão ficar cada vez mais escassos nos próximos tempos, o que nos cabe é sermos simplesmente mais responsáveis.
 O que não depende da crise internacional e nem das soluções e avaliações externas é o nosso comportamento em relação às finanças públicas. Desde o fim da CPMF, o governo resolveu atribuir à oposição seus problemas, mas já se sabe que o superávit orçamentário é superior ao valor retirado pelo fim do imposto.
 O que não se viu, até agora, foram medidas conseqüentes na reordenação das finanças públicas. Que certamente precisarão contar, cada vez mais, com a confiança do setor privado da economia, particularmente quando se configura uma crise internacional.


  




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