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01.06.2008 - IBEF Informa

Erro de foco

 Foi anunciada como tal, mas não temos uma nova política industrial. Medidas tópicas que ajudam a exportação não asseguram o sucesso das iniciativas que foram tomadas. Isto só acontecerá se a economia permanecer melhorando seu grau de eficiência e, portanto, de competitividade. Isto é óbvio. Na microeconomia, para o caso das empresas, é o sistema inteiro funcionando que possibilita exportar com mais eficácia.
 Já em 1987, quando eu presidia o BNDES, encaramos uma questão parecida. Naquele momento, ao apresentar as perspectivas de um brasil 25 anos depois - noto que só faltam quatro para a data - colocou o banco o ponto de toque de nosso crescimento, o que então chamamos de "integração competitiva", ou seja, a capacidade de nosso país participar competitiva e adultamente do movimento, que se tornava claro, conhecido hoje como globalização.
 Na década de 70, seria útil eleger setores de atividade, capazes de exportar mais, para dar a eles as ferramentas necessárias para serem competitivos. Hoje, já existe a globalização consolidada e que fazemos parte deste mundo, querendo ou não, o mais importante é a macroeconomia, em que um dos componetes - o câmbio - é vital para o comércio exterior.
 Ora, promover com uma mão estímulos de R$20 bilhões - o que é muito pouco - às empresas exportadoras e com a outra, pelo Copom, aumentar o juro interno é apenas escolher o pé em que se dá o tiro. Atrair dólares para o Brasil propiciará mais condições para a valorização do real, prejudicando as exportações, de forma muito grave, como já estamos observando na seqüência de números. Ao mesmo tempo, estamos aumentando a dívida pública.
 É certo que precisamos encontrar uma equivalência correta para nossa moeda face ao dolar e ao euro. Mas, certamente, não é abaixo de R$1,70 por dólar. O que se verificará nos próximos meses não nos trará entusiasmo. O superávit comercial tende a baixar perigosamente, e os investimentos em novas unidades de produção para exportação, se adotados pelos responsáveis por decisões de investir, não serão automáticos, dada a burocracia, a questão dos juros, a questão tributária, que é complexa e confusa, e toda a deficiência de infra-estrutura brasileira, a ser avaliada com muita atenção.
 Ifra-estrutura no mundo todo - e, repetindo, estamos num mundo globalizado - quem faz são os capitais privados e a iniciativa privada. Também assim será no Brasil. O retardamento do início dessa nova realidade deve-se apenas ao viés ideológico dos nossos governantes. Sua aversão a capitais privados em serviços públicos, apesar da existência de agências reguladoras, é responsável pelo verdadeiro caos que são nossas rodovias, estradas de ferro, portos e aeroportos.
 A mim, parece até menos importante a questão dos encargos trabalhistas e outros ônus que existem para quem emprega regukarmente, tendo em vista que, infelizmente, quem perde é o próprio salário do trabalhados. Penso ser uma falácia imaginar que o ônus sobre a mão-de-obra recaia sobre o empresário ou o processo. Recai, na realidade, sobre o empregado, que vê seu salário reduzido, já que existe um encardo a ser assumido.
 Ninguém perde exportação por causa de encargos trabalhistas. Perde porque o preço não consegue se sustentar, dada a taxa de câmbio. E essa é a função direta da macroeconomia que hoje presta muito menos atenção à questão do que deveria. É também preocupante o brutal aumento das despesas públicas, já se aproximando de 15% em um ano.


  




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