23.08.2005 - CÂMARA DOS DEPUTADOS
GRANDE EXPEDIENTE
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CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ |
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| Sessão: 223.3.52.O |
Hora: 16:14 |
Fase: GE |
| Orador: MARCIO FORTES, PSDB-RJ |
Data: 23/08/2005 |
O SR. MÁRCIO FORTES (PSDB-RJ. Sem revisão do orador.) -
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é certo que estamos, mesmo diante da
crise política, buscando novos caminhos para o desenvolvimento do País. E é por
meio da permanente melhoria das regras eleitorais que, outorgando mais
legitimidade a nós representantes do povo, encontrará desenvolvimento
equilibrado, harmônico e universal. Neste momento, volto minha atenção para o
Estado que represento nesta Casa, berço da formação da nação. O Rio de Janeiro
foi sede da capital de todo o período do Império e de grande parte da República
e lá ocorreram os episódios que forjaram nossa identidade. Detém hoje o
Estado do Rio de Janeiro o segundo PIB brasileiro. É a maior referência
internacional do Brasil, sob todos os aspectos. A dimensão e a extensão dos
serviços públicos nele localizados não se limitam a um único setor de
atividades. A minha atenção, neste momento, é despertada, entretanto, para a
real situação de nosso Estado, seja no plano do desenvolvimento econômico, seja
nos aspectos do bem-estar da sociedade, seja naqueles relativos à
infra-estrutura ou ao ambiente institucional e político. Nas últimas semanas,
tomamos conhecimentos de alguns fatos, todos na mesma direção: as verbas
federais para investimentos no Estado do Rio de Janeiro foram contingenciadas, e
alguns projetos, adiados. Há descumprimento sistemático na liberação de verbas
do Orçamento da União para o sistema de universidades federais sediadas no
Estado. Outras iniciativas, como a da implantação da Agência Nacional de Aviação
Civil, reforçam o esvaziamento do Rio de Janeiro. Assim também, há
descontinuidade em projetos fundamentais, clássicos e aprovados por todos, de há
muito demandados, como o Metrô e o Anel Rodoviário. Também não é aceitável
que a opinião pública obtenha notícia da realidade de forma distorcida, pela
apresentação parcial de resultados numéricos e econômicos de nosso Estado. A
importância do Rio de Janeiro para a economia brasileira faz com que o que hoje
lá aconteça tenha reflexos no desenvolvimento do País. A rápida observação
de dados estatísticos do IBGE revela queda da participação relativa do Estado do
Rio de Janeiro no PIB brasileiro. Há um retrocesso. Em 30 anos, do começo da
década de 70 até os primeiros anos do século XXI, enquanto a participação de
Minas Gerais cresceu cerca de 17%, a do Estado do Rio de Janeiro apresentou
diminuição de 24%. Da mesma forma, a participação relativa no valor da
transformação industrial aponta crescimento de 34,3% em Minas Gerais e queda de
mais de 38% no Estado do Rio de Janeiro. Em curtas palavras, seja na evolução
do PIB, seja no crescimento da indústria como um todo, incluída a indústria
extrativa mineral - leia-se petróleo -, o Estado do Rio de Janeiro é o que teve
a maior queda percentual em 30 e poucos anos de acompanhamento estatístico do
IBGE. Da mesma forma, tomando-se apenas os 10 anos decorridos entre 1993 e 2003,
a indústria de transformação no Brasil cresceu mais de 30%, e a do Rio de
Janeiro, apenas 3%. Será que tivemos na indústria de transformação crescimento
de apenas 10% da média nacional? Sim, é verdade, pois todo o nosso crescimento
esteve concentrado na indústria do petróleo nos últimos 10 anos, que cresceu
mais de 200%, também consultado o IBGE. É um dado de desbalanceamento da
produção. Não se pode imaginar que a indústria do Estado do Rio de Janeiro tenha
crescido apenas na extração de petróleo - mas é verdade - e muito menos aceitar
que seu futuro esteja atrelado apenas à questão do óleo. Mesmo porque é uma
indústria que tem prazo de validade, correspondente à durabilidade das jazidas
em alto mar, na Bacia de Campos. A produção industrial, o PIB, a economia,
sob os mais variados indicadores, ligados à produção industrial e física, em
qualquer período, agravam-se ou têm pequenos períodos de maior equilíbrio, mas,
com certeza, nos últimos 6 anos a queda foi vertiginosa. Entre janeiro de 1999 e
abril de 2005, a indústria de transformação no Brasil cresceu quase 38%, e a do
Estado do Rio de Janeiro não chegou a 10%. A primeira conseqüência desse quadro
é que o número de pessoas empregadas em todas as atividades, e a renda das
pessoas com trabalho na Região Metropolitana do Rio cresceu apenas 3,15% em 12
anos, contra um total de 7,5% no Brasil, como um todo. Entre as Capitais, a
Região Metropolitana que apresentou o maior crescimento foi a de Belo
Horizonte. A infra-estrutura do Estado do Rio de Janeiro continua sendo a
melhor do Brasil, ainda devido a investimentos seculares e a esforços isolados
de Governos Estaduais e Federal nas últimas décadas. É certo que a Capital da
República no Rio de Janeiro dotou, não apenas a cidade, mas também o seu
entorno, notadamente a Baixada Fluminense e a Região Serrana, de equipamentos
importantíssimos, como o sistema portuário, os transportes ferroviários, a
distribuição de energia elétrica, o fornecimento de água potável e a rede de
esgotos. Em paralelo, entretanto, a evolução do crescimento do Estado
apresenta hoje má distribuição também na infra-estrutura. Enquanto no interior
temos cidades muito bem dotadas de infra-estrutura, algumas localidades e mesmo
regiões inteiras são desprovidas não só de transportes, como também de energia,
saneamento, sobretudo de projetos conseqüentes para a solução de problemas.
Cidades e regiões que abrigam milhões de brasileiros egressos de várias partes
do Brasil e que, com existência precária, levam para o Estado do Rio de Janeiro
índices e indicadores de desenvolvimento social equiparável aos das regiões mais
pobres do País. Isso ao lado da Capital nacional do petróleo e também do
turismo. Turismo? Será mesmo? Claro que sim. Cerca de 37% dos turistas
estrangeiros que visitam o País vão ao Rio de Janeiro. É o Estado mais visitado
do Brasil. Mas esse percentual, em 1990 - não faz tanto tempo assim -, era de
51%. A queda tem sido linear e sistemática. De 51% passamos para a casa dos 40%;
daí para os 30%; e cá estamos, provavelmente em queda livre, devido a fatores
que nada têm a ver com a nossa vocação de bem receber visitantes, mas, sim, com
erros de governos em áreas fundamentais como segurança pública. O agravante
desse quadro é a queda do dispêndio dos visitantes estrangeiros no Rio de
Janeiro, passando de 104 dólares per capita/dia, em 1994, para 97 dólares
em 2003. É inadmissível aceitar essa situação constatada nas estatísticas.
Temos tudo: música típica; história; cultura; população afável; natureza
privilegiada, com o encontro de mar, rios e montanhas; trato com o meio
ambiente. E, certamente, com tantos ingredientes positivos, temos como contornar
e até eliminar os fatores adversos. Os ganhos de qualidade na
infra-estrutura do Estado são, por outro lado, fáceis de equacionar. Entre
alguns poucos projetos na área de transportes, o mais importante deles é o já
mencionado Anel Rodoviário, que canalizará o tráfego pesado não destinado à
cidade do Rio de Janeiro, evitando, portanto, a Avenida Brasil. Já projetada e
orçada, essa obra de responsabilidade federal cruzará as Rodovias Dutra,
Washington Luiz e Rio-Santos, as duas primeiras já privatizadas. Esse importante
projeto não tem recebido das autoridades a atenção que merece. Energia
elétrica nunca nos faltou. Antes importada de outros Estados, tem no projeto
nuclear de Angra dos Reis a saída para a auto-suficiência. Também o saneamento
não é de difícil implementação no Estado do Rio de Janeiro. Liga-se muito ao
problema da habitação subumana, subnormal, ou seja, às favelas; e ao trabalho,
aliás bastante competente, das autoridades ambientais que atuam sobretudo nas
unidades industriais instaladas no Estado. O que quero dizer, afinal de
contas? Que o Estado do Rio de Janeiro está pronto para o crescimento. Não a
volta por cima tão alardeada e que se baseia sobretudo na "descoberta" de
qualidades que o próprio Estado já apresenta há muitos anos, mas a tomada de
posição face ao futuro, com a identificação clara das vocações e das vantagens
comparativas de cada uma das regiões, com a mobilização das lideranças
regionais, com o choque da tomada de consciência dos responsáveis pela condução
do Estado, particularmente políticos, empresários, líderes comunitários de forma
geral, no sentido de que temos tudo e precisamos apenas agregar ambientes
favoráveis ao nosso desenvolvimento. Ambiente favorável ao empreendedorismo,
com um conjunto regulatório de atividades produtivas mais claro e duradouro; com
atração de novos capitais e tomada de posição definitiva em relação àquilo que
pode e deve ser entregue à iniciativa privada, ainda que sejam serviços
públicos. Já manifestei a opinião de que todos os serviços públicos que
merecem retribuição pecuniária por sua prestação devem ser privatizados. É o
caso da energia, do fornecimento de água e do saneamento, dos transportes
públicos, para que possamos oferecer gratuitamente e de modo universal o que
jamais poderá ser cobrado: saúde, educação e segurança. A Ciência moderna, a
aplicação tecnológica das conquistas laboratoriais, a Biociência, as
telecomunicações, a era da informática de forma geral encontra no Rio de Janeiro
a maior coleção de cérebros, gênios e ambientes universitários que há no País.
Existem no nosso Estado 5 universidades federais completas e notável rede de
centros de ensino e de pesquisa de responsabilidade privada. O Estado, assumido
como unidade face ao resto do País, pode com absoluta tranqüilidade atrair, em
vez de estimular a retirada, toda a pesquisa nessa área. Todo o universo de
trabalhar com organismos geneticamente modificados, medicamentos, processamento
e utilização da notável biota brasileira tem mais qualidade e ordenamento no
Estado do Rio de Janeiro. Entretanto, ainda sem conseqüências práticas. O
ambiente favorável a que me referi passa não apenas pela postura dos
empreendedores da iniciativa privada, mas também por uma séria tomada de posição
do Governo quanto ao papel do Estado. É necessária reforma administrativa,
revolução na gestão do Estado, redução dos gastos públicos e reforço de metas
fiscais. Reitero a necessidade da reforma do Estado, cuja estrutura está
bastante carcomida. Alguns indicadores chegam a ser patéticos: a inadimplência
das contas de água da CEDAE; a negativa ao cumprimento de multas de trânsito; a
indisciplina vigente sistematicamente no exercício das atividades econômicas; a
informalidade excessiva; tudo isso reflete, em grande parte, o atraso na gestão
pública. Nos últimos 6 anos praticamente não houve concursos públicos para o
funcionalismo do Estado do Rio de Janeiro. Nesse período, admitiram-se por
concurso apenas professores de Religião e policiais nos quadros do Estado, num
total de cerca de 4 mil, contra cerca de 60 mil destinados a várias áreas em São
Paulo. Isso tudo é muito fácil de reverter. Em pouco tempo ganha-se qualidade no
serviço público e motivam-se as pessoas. Um exemplo notável para o Brasil é o
do Nordeste, que encontrou novos caminhos para o desenvolvimento. O Nordeste de
hoje não é o de Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Houve revolução por
dentro. É claro que o País inteiro entendeu o Nordeste como merecedor de
estímulos para a reversão da má distribuição de renda. E disso exatamente que
precisamos. Não porque a nossa renda seja baixa, mas porque temos bolsões de
pobreza, e a nossa estrutura foi sendo carcomida aos poucos naquilo que é
essencial. Os instrumentos para mudar essa situação são os clássicos:
incentivos fiscais; busca de investidores externos; apresentação sistemática e
organizada do Estado; centralização de ações; linguagem única e direcionada;
foco no desenvolvimento harmônico. O ambiente, entretanto, cria-se por
instrumentos políticos, muito menos tecnocráticos. O Estado do Rio de
Janeiro, neste momento de grande transformação da política brasileira, pode ser
exemplo de renovação de políticas locais, revertendo tendências constatadas,
antes que se tornem crônicas e de impossível controle. Afinal, se temos o
petróleo, não precisamos usá-lo apenas para obter royalties e indicadores
parciais de desenvolvimento econômico, mas, sim, para que sirva de âncora para
outras atividades. Já tivemos no Estado do Rio de Janeiro momentos de grande
inovação. Quando estive à frente da Secretaria Estadual de Indústria, Comércio e
Turismo, levei a cabo o desenvolvimento da região das Academia Militar das
Agulhas Negras. Hoje, os indicadores do Município de Porto Real, principalmente,
mas também de Itatiaia e Volta Redonda, são os melhores do Estado. Em grande
parte, pela implantação de indústrias modernas. No seu todo, por uma tomada de
posição das lideranças da própria região. Na técnica, por determinação do
Governo do Estado e das lideranças empresariais de fazer efetivamente com que
houvesse um salto qualitativo e quantitativo na área industrial. O Sr.
Paulo Feijó - Permite-me V.Exa. um aparte? O SR. MÁRCIO FORTES -
Com prazer, nobre Deputado. O Sr. Paulo Feijó - Nobre Deputado, ouvia
seu pronunciamento em meu gabinete e vim parabenizar V.Exa., que conhece com
profundidade o setor produtivo do Estado do Rio de Janeiro, bem como as grandes
desigualdades sociais lá existentes. É bom frisar que V.Exa. tem contribuído
para a obtenção dos bons resultados do nosso Estado, principalmente no período
em que foi Secretário do Governo Estadual. Suas ações ajudaram de maneira
significativa na conquista desses resultados. V.Exa. demonstra sua preocupação
com a perda de oportunidades no Estado do Rio de Janeiro. Quero parabenizá-lo
pelo trabalho que lá desenvolveu há alguns anos. Tenho certeza de que ainda tem
muito a contribuir para a melhoria do nosso Estado. O SR. MÁRCIO FORTES
- Deputado Paulo Feijó, agradeço a V.Exa. o aparte. Suas palavras elogiosas
devem-se à nossa antiga amizade. Ouço, com prazer, o nobre Deputado Pauderney
Avelino. O Sr. Pauderney Avelino - Deputado Márcio Fortes, ouço
atentamente o pronunciamento de V.Exa. a respeito da sua preocupação com a
situação do seu Estado de origem, o Rio de Janeiro. Todos o consideramos um
Estado pujante, mas, como todos os demais Estados brasileiros, com grandes
desigualdades internas: sociais e regionais. Mesmo com território pequeno, ele
tem suas desigualdades, o que lamentamos profundamente. Mas esta parece ser a
marca do Brasil, ou seja, as desigualdades regionais de norte a sul, de leste a
oeste. Congratulo-me com V.Exa. pela preocupação que manifesta, mercê da
propaganda que o Governo do Rio de Janeiro faz em âmbito nacional, como se
estivesse em franco processo de reconstrução a sua atividade econômica. Sabemos
que não é bem assim, conforme V.Exa. mesmo afirma. Congratulo-me com V.Exa. e
com todos quantos estejam bem intencionados no sentido de incrementar a
indústria e a economia de um Estado com o qual todos os brasileiros se
identificam. É lá que muitas vezes vamos passar o final de semana ou as férias,
para gozar as delícias que oferece. Espero que o Rio de Janeiro receba esse
impulso que V.Exa. deseja e que tanto alardeia o Governo Estadual. O SR.
MÁRCIO FORTES - Agradeço ao Deputado Pauderney Avelino o
aparte. Prossigo, Sr. Presidente. O ambiente daquele momento continha
privatização, definições nas áreas de energia, comunicações, transportes e muita
conexão com aqueles que têm a responsabilidade de investir. As fábricas da
Peugeot/Citroën e suas indústrias subsidiárias, da Guardian, de vidros, e da
Galvasud, são notáveis pontas de lança de novo projeto que pode perfeitamente
combinar-se com a vocação natural de Nova Friburgo e região, o maior exemplo
nacional de Arranjos Produtivos Locais. No caso, para a moda íntima. O Estado
do Rio de Janeiro não vai se apequenar numa mera disputa de quem cresce mais: se
é o Rio, Minas ou São Paulo. E não precisa disso. Crescerá e apresentará
indicadores naturalmente, na medida em que encontre seus caminhos para o
desenvolvimento e mobilize seus líderes. Não sou daqueles que se lamentam de
ambiente persecutório vindo de Brasília em relação ao Estado do Rio de Janeiro.
Mas devemos reconhecer que existe todo um ambiente de má vontade por parte de
autoridades federais, quando se trata de ouvir e de colaborar com o Estado. Os
atuais responsáveis pela política nacional confundem ações necessárias do
Governo com as questões eleitoral e sucessória. Eles encontram no Estado do
Rio de Janeiro um ambiente que não dominam e alternativas que não conhecem,
dificultando o nosso trabalho. O caso das universidades federais, neste momento,
é típico. Não é possível que sobrevivam apenas na mendicância de mais recursos
do Orçamento Federal. Afinal, há 5 universidades federais no Estado do Rio de
Janeiro, que é voltado para a cultura, aficionado do crescimento intelectual e
busca sistematicamente o aprimoramento profissional, não apenas pela oferta de
implementação do conhecimento, mas também porque há tradição de boa qualidade
por trás disso. O Estado do Rio de Janeiro, Deputado Chico Alencar, pretende
ser competitivo. É notável o percentual de candidatos bem-sucedidos em todos os
tipos de provas e concursos, oriundos do Estado. Chega a ser desproporcional.
Nas provas de admissão para o serviço público federal, nos últimos anos cerca de
30% dos aprovados são oriundos do Estado do Rio de Janeiro, demonstrando a
qualidade do nosso sistema de formação. O Sr. Chico Alencar -
Permite-me V.Exa. um aparte? O SR. MÁRCIO FORTES - Com prazer,
Excelência. O Sr. Chico Alencar - Deputado Márcio Fortes, apenas quero
agregar um ponto a esse seu trabalho de exegese da situação do nosso Estado.
Muito competente e importante para qualquer um de nós essa radiografia do Estado
do Rio de Janeiro e das suas políticas equivocadas. Recentemente, contamos com a
sua presença lá, quando tratamos das universidades federais, tema que nos foi
trazido de maneira muito candente por diversos Reitores e também pelo Diretor da
Escola Técnica Federal. Amanhã de manhã esses Reitores estarão aqui, para um
encontro com a bancada do Rio de Janeiro, que é muito desunida e desatenta. Os
46 Deputados e os 3 Senadores do Estado devem assumir a defesa da universidade
pública e da recuperação dos seus recursos porque até contas de água e de
energia elétrica não têm sido pagas. Quero reforçar, no seu pronunciamento, a
importância dessa nossa luta específica. Não se pode pensar em desenvolvimento
regional sem ensino, pesquisa e extensão, atribuições precípuas da universidade
pública brasileira. O SR. MÁRCIO FORTES - Agradeço o parte ao
Deputado Chico Alencar, inclusive o fato de ter-se lembrado da reunião de
amanhã, a ter início às 8h, no 10º andar do Anexo IV. Convido os 49
Parlamentares da bancada do Rio de Janeiro a nos ajudarem nessa espécie de
mobilização a favor das universidades federais sediadas no Estado do Rio de
Janeiro. Continuo, Sr. Presidente. E como fazer? Com mobilização. Desde
logo, conhecer mais o Estado; cada um de seus indicadores; cada uma de suas
vocações; as pessoas envolvidas em cada atividade, em cada uma das
especialidades; obter delas aquilo que pensam, o que viram, o que
experimentaram; e conseguir seu engajamento num processo de transformação que
começa com pequenas modificações, mas que terá de envolver a opinião pública.
Para isso existem no Estado importantes órgãos de comunicação, sobretudo
notáveis meios eletrônicos. Mas, para que prospere uma nova fase, é preciso
chegar aos Governos. Ao Governo Federal, que pouco ou nada conhece do Estado do
Rio de Janeiro e que, quando toma conhecimento, reage de forma negativa. Sua
resposta, em geral, é a omissão e não a ação positiva. Ao Governo Estadual,
iludido pela popularidade, como resposta ao exercício de populismo forçado e à
propaganda acintosa de indicadores que, em sua maioria, não foram promovidos
pela atual gestão. O País e o Governo Federal têm no Estado do Rio de Janeiro
alguns de seus maiores patrimônios. Sem falar no petróleo, todo o sistema
público de saúde e de educação encontra a ponta no Estado do Rio de Janeiro, em
quantidade e qualidade. É desnecessário nomear uma a uma as unidades de
excelência em saúde e formação que temos, tantas são. Mas também outras
características: projeto de energia nuclear do Brasil, discutível mas inegável
no mundo todo, só há no Estado do Rio de Janeiro. Turismo sofisticado, variado,
completo, como manda a receita mundial, só existe no Estado do Rio de Janeiro.
Arrojo para construir um pólo gás-químico, como o há pouco inaugurado em Duque
de Caxias, dificilmente se encontra em outras localidades, com tecnologia
inédita e associação sofisticada de Poder Público e setor privado.
Infra-estrutura, sobretudo voltada para a logística de cargas, e transportes
sofisticados, como aeroportos nacionais e internacionais da melhor qualidade, e
5 portos de mar, também só há no Estado do Rio de Janeiro. Sr. Presidente, o
Porto de Sepetiba é exemplo claro do que afirmo. Praticamente datado de 1995 é
hoje o mais importante complexo portuário do País. Certamente não o maior; e
Santos não nos deixa mentir. Mas o volume virá em decorrência da completa
utilização de suas facilidades, como acesso, profundidade, calmaria das águas e
notável retroporto. E a logística de acesso, ainda em construção e formação,
bastando para isso a compreensão e a tomada de posição. Hoje, por sua mera
existência, o Porto de Sepetiba já atrai a ampliação de investimentos e a
existência de unidades fabris em toda a Região Sudeste do País. Tal definição
de qualidades e de vantagens e a mobilização certamente passarão pelas regiões
norte e noroeste fluminense. Pobres, essas regiões não podem ser esquecidas nem
relegadas a plano secundário. Lá há petróleo. Se, por exemplo, o Estado do
Espírito Santo tem vantagens fiscais federais, lutaremos para que se estendam
também àquela região. Falta arregaçar as mangas e começar. É preciso o
compromisso dos governantes a serem eleitos em 2006. Um compromisso claro com as
questões que a todos motivam, como o exercício da tarefa democrática, específico
em termos de Estado. Estudos e tarefas a cumprir haverá, com certeza. Essa é
a exigência, Srs. Deputados, da população do nosso Estado. Vamos honrar a
confiança que em nós depositam. Sr. Presidente, peço a V.Exa. que autorize a
divulgação do meu pronunciamento nos órgãos de comunicação desta Casa
legislativa e no Programa A Voz do Brasil. Muito obrigado, Sr.
Presidente.
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