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02.08.2005 - CÂMARA DOS DEPUTADOS

HOMENAGEM

CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 190.3.52.O Hora: 11:33 Fase: HO
Orador: MARCIO FORTES, PSDB-RJ Data: 02/08/2005


O SR. MÁRCIO FORTES (PSDB-RJ. Sem revisão do orador.) - Exmo. Sr. Presidente, Deputado José Thomaz Nonô; Sras. e Srs. Deputados; Ilmos. Srs. Rodolfo Fernandes, Marcos Vilaça, Helena Chagas, Jorge Bastos Moreno; caros amigos que fazem, aqui em Brasília, o jornal O Globo, coube-me representar o PSDB nesta sessão solene de homenagem aos seus 80 anos.
Ocorre-me, carioca que sou, nascido e criado no Rio de Janeiro, lembrar um pouco o passado para extrair algo do futuro. Conheci o jornal O Globo porque minha avó o lia. Não era pela manhã que a edição saía, mas à tarde. Eu ia ao colégio de manhã e, na volta para casa, tinha por hábito passar na banca do jornaleiro e comprar o jornal O Globo para a minha avó, senhora de extrema sabedoria que não havia recebido educação formal, pois originária do campo, educada na fazenda. Ela lia O Globo porque ele traduzia o que era importante, ou seja, dava a noção perfeita do jornalismo atualizado. Não era publicação da chamada elite.
O Globo foi fundado em 1925. E contextualizar a sua fundação, como tantos colegas Deputados já o fizeram, não é inútil. Estávamos, então, na República Velha, época em que a imprensa era servil e a política restringia-se a arranjos palacianos. O Globo introduziu, desde as suas primeiras edições, os componentes serviço público e interesse da população, criando assim marca que, aliada à notável performance empresarial, permeou toda a sua saga jornalística.
Pouquíssimas empresas do cenário brasileiro passam dos 20 anos; o que dirá chegar aos 50 anos? Aos 80 anos, então, é praticamente um milagre, ainda mais permanentemente planejando e investindo no futuro.
O notável desempenho empresarial, aliado à rara visão do avanço tecnológico, acompanhou o jornal em toda a sua trajetória. Lembro-me vagamente, lendo, de carona, O Globo de minha avó, dos pequenos avanços da época: a telefoto, o flash - até então só se tiravam fotografias quando havia luz fora dos estúdios. Com essa visão, a empresa sempre tentou, e conseguiu, adaptar sua linha industrial e de produção empresarial àquilo que havia de avançado na época. Não se conformava em equipar-se com o que havia de mais avançado até então, mas buscava o que viria a ser mais avançado no futuro.
Assim, o setor gráfico ganhou, por exemplo, nova sede há menos de 10 anos, no Município de Duque de Caxias, fruto de investimento arrojado, em localização cuidadosamente escolhida por ser adequada às atividades intensivas de transporte, tendo em vista que um jornal vive tanto da eficácia dos seus jornalistas quanto da agilidade de entregar aos seus assinantes e leitores as edições do dia.
Em 1963, quando entrei na universidade, a TV Globo acabava de ser fundada. Verifiquei a febre dos meus colegas dos cursos de Comunicação, Direito e Ciências Sociais de entender o novo fenômeno da televisão e do jornalismo avançado. Diversos companheiros, ainda estudantes, foram trabalhar como estagiários na TV Globo, emissora menor do que as outras, mas que tinha como característica o avanço jornalístico, empresarial e tecnológico.
Quantos episódios edificantes, pessoais e factuais, alguns graves, foram superados pelo denodo, pela fé e pela capacidade de superar dificuldades da empresa O Globo.
Sr. Rodolfo Fernandes, acompanhei meticulosamente, por razões profissionais e afetivas, a transferência de Evandro Carlos de Andrade do jornal para a televisão, demonstração de que o grupo empresarial não priorizava exatamente, como bem disse o Deputado José Carlos Aleluia, a imprensa no sentido puro da palavra, ou seja, a impressão de papel, mas a comunicação.
A comunicação avança com velocidade. Devemos permanecer à frente do nosso tempo, não só com o uso da tecnologia, mas também com a valorização da responsabilidade de pessoas.
Não estamos homenageando a TV Globo, mas ela merece estudos e análises. É motivo de aplauso, certamente porque representa caso raro no mundo, a sede do PROJAC no Rio de Janeiro.
Aquele Estado é hoje a Capital do entretenimento brasileiro por causa das atividades das Organizações Globo, que veiculam nas páginas do seu jornal as conquistas no âmbito da comunicação eletrônica.
São muitas as dificuldades a serem superadas, quando se faz investimento dessa e dimensão. Evidentemente, os fatores financeiros interferem nos fatores tecnológico e humano, devido às várias mutações, algumas recentes, patrocinadas pelos controladores, os chamados patrões das Organizações Globo, que deram sistemáticos exemplos do que é efetivamente responsabilidade empresarial.
Não me refiro exatamente à responsabilidade social, marcante nas Organizações Globo, particularmente no jornal O Globo, mas à responsabilidade de entender que a empresa é parte da Nação, é parte do sistema econômico, é muito maior do que aqueles que a fundaram, que a dirigem, que possuem ações e que nela trabalham. Ela é parte da composição cultural e democrática do País, como bem disse o Deputado Paulo Delgado. A fluência da população é demanda universal, para a qual colabora tanto o jornal, informativo e reflexivo, mas também instrumento de inclusão e ascensão social. Evidentemente, corresponde à aspiração do povo brasileiro. Daí o seu sucesso.
DISCURSO ENCAMINHADO PELO ORADOR


O SR. MÁRCIO FORTES (PSDB-RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, breve análise da história desses 80 anos de O Globo traz de imediato a constatação de que o jornal representa, desde a primeira edição até a última, publicada esta manhã, a síntese entre a coragem de sonhar e a ousadia de fazer.
Sobretudo por essa razão, muito me honra representar o Partido da Social Democracia Brasileira neste preito. Afinal, de forma análoga, o meu partido tem buscado, desde a sua fundação, fazer reais os sonhos desta Nação.
Em 29 de julho de 1925, ao colocar nas ruas a primeira edição de O Globo, seu fundador, Irineu Marinho, dava contornos ao sonho de mudar os rumos da imprensa brasileira, até então voltada estritamente ao partidarismo e às campanhas políticas.
A atitude vanguardista se delineou nas reportagens daquelas primeiras páginas, que versavam sobre a exploração da borracha e o aumento de automóveis nas ruas do Rio de Janeiro. O interesse pelas questões populares estava expresso em seu primeiro editorial. Ali, Irineu Marinho manifestava a "disposição em defender as causas populares".
Era o sonho do fundador, e aquela primeira edição preconizava uma saga de sucesso a que ele não assistiria. Menos de 1 mês depois da fundação do jornal, Irineu Marinho morreu, legando aos filhos, sobretudo ao primogênito, Roberto, o seu sonho e a determinação em tornar esse sonho real.
Sob o comando do jornalista Roberto Marinho o pequeno jornal de 8 páginas se firmou, ao longo de sua história, como verdadeiro retrato de pioneirismo e sucesso jornalístico e empresarial.
Por mais que seu caráter fosse visionário, por certo Irineu Marinho não imaginara que, ao fundar O Globo, lançava a pedra fundamental para o maior conglomerado de comunicação do Brasil. As Organizações Globo são hoje símbolo de sucesso e de orgulho nacional.
O jornal O Globo foi e continua sendo pilar de sustentação, de orgulho e de motivação para todas as ações implementadas pelo Grupo Marinho.
Ao falecer, em 2003, Dr. Roberto Marinho legou aos filhos jornal líder de mercado, respeitado e lido no País inteiro, por contar diariamente aos seus 2 milhões de leitores o que acontece no Brasil e no mundo. Enfim, deixou O Globo que conhecemos e que tanto orgulha seus leitores.
Isso se construiu porque o jornal manteve, desde a sua fundação, uma atitude de vanguarda, seja no que tange à tecnologia, seja no que diz respeito à notícia e ao fato.
O Globo foi o primeiro jornal brasileiro a utilizar o flash nas máquinas fotográficas, assim como o primeiro a se valer do flash eletrônico, da teleobjetiva e das máquinas de 35 milímetros com filme ultra-sensível. Também foi o primeiro jornal da América do Sul a publicar uma radiofoto colorida e a receber fotografias de qualquer parte do planeta por rádio ou telefone. Da mesma forma, tem-se postado sempre na dianteira dentro do ambiente de revolução tecnológica das últimas décadas.
Por outro lado, os fatos nacionais e internacionais, em suas múltiplas versões, sempre chegaram às páginas do jornal de modo que seus leitores pudessem ver ali retratada a História.
O Globo trouxe a público o primeiro FlaxFlu; após o lançamento do jornal, ainda em 1925, a morte de Lampião; o movimento cultural; as vitórias do esporte brasileiro; a chegada do homem à Lua; os atentados terroristas; as guerras; a luta pela paz; as mudanças no cenário político; as insurreições; as ditaduras; as renúncias; a consolidação da democracia; os momentos de crise.
Hoje, o jornal se destaca por trazer informações de primeira ordem na turbulência da crise política que assola o País.
Assim é O Globo. Assim se construiu essa história de jornalismo sério e comprometido com os interesses maiores da Nação. Por isso ela se confunde com a própria história do Brasil ao longo desses 80 anos.
Parabéns a todos pela coragem de sonhar e pela ousadia de fazer! que venham os próximos 80 anos! (Palmas.)
Sr. Presidente, solicito a V.Exa. que autorize a divulgação do meu pronunciamento pelos órgãos de comunicação desta Casa legislativa e no Programa A Voz do Brasil.
Muito obrigado.




  




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