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17.04.2006
Programa: Economia - pag. A-5
Veículo: Jornal do Commercio

PROGRAMA: Economia - pag. A-5
EMISSORA: Jornal do Commercio
DATA: 17/04/2006.
ÂNCORA: Luciana de Moraes

Imóveis - Empresários acreditam que expansão do mercado em 2006 será a maior dos últimos 15 anos

Construção vive fase de otimismo

A redução da taxa básica de juros e a perspectiva de aumento dos recursos para o financiamento habitacional ao longo do ano têm sido os pilares de sustentação das projeções otimistas mantidas pelo setor de construção civil. O mercado estima um crescimento de 5,1%, contra elevação de 1,3% registrada em 2005. Alguns sinais de melhora foram apresentados já no primeiro bimestre, quando foram criadas 36,6 mil novas vagas no País, ou seja, um acréscimo de 2,6% sobre o total de postos de 2005. Os dados foram anunciados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).
Se o desempenho esperado para este ano se consolidar, o setor terá crescido bem acima da média dos últimos 15 anos, de 1,2% , contra um crescimento de 2,3% da economia. Para este ano, estima-se que os investimentos do Governo federal e dos agentes privados no setor habitacional cheguem a R$ 18,7 bilhões. Segundo o Sinduscon-SP, um terço dos recursos virá das cadernetas de poupança e o restante, do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da Caixa Econômica Federal.
O presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ), Márcio Fortes, atribuiu o desempenho da construção civil em 2005, aquém das expectativas, à pressão sobre a renda exercida por preços altos e impostos. Além disso, cita a inadequação das condições de financiamento à realidade da população.
"Não é impossível que o setor cresça 5%, mas, se isso acontecer, acredito que seja muito mais em função de condições mais adequadas de financiamento, com prazos mais longos e juros mais baixos, do que pela alta de recursos disponibilizados", diz. Fortes não se mostra confiante no incremento da renda como fator que deve colaborar para o desempenho.

Verbas também para infra-estrutura
De outro lado, estão os que apostam na liberação de verbas para habitação e obras de infra-estrutura como locomotiva para que, depois de muitos anos, o setor cresça acima da economia. Ao apresentar os dados bimestrais e a estimativa da construção civil para este ano, o presidente do Sinduscon-SP, João Claudio Robusti, afirmou que as várias esferas do governo estão tirando as travas neste ano eleitoral, dando um sinal claro às empresas de que se pode acreditar em um crescimento real.
O otimismo em relação à melhora do setor está refletido também na perspectiva de aumento das vendas de insumos. Segundo Cristiane Viana, analista do setor de construção civil da corretora Ágora-Senior, já é possível observar algum incremento da demanda por produtos como vergalhões longos e telhas.
"Estamos reforçando a recomendação de compra de ações da Gerdau e da Eternit porque acreditamos que as empresas se beneficiarão com o crescimento esperado para o setor este ano. O País ainda tem um déficit habitacional muito grande", afirma. Para a especialista, o fraco desempenho da construção civil em 2005 foi influenciado, principalmente, pela elevada taxa de juros.
De fato, a falta de unidades com condições básicas e adequadas à população tem sido pauta dos discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mês passado, ele destacou a importância da construção civil para a retomada do crescimento mais acelerado da economia, com geração de emprego e renda. Em seguida, disse que alguns dos desafios do Governo, agentes financeiros, construtores e fornecedores de material de construção é reduzir o elevado déficit habitacional e substituir as moradias situadas em áreas de risco.

CBIC defende alocação em novas moradias
De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), as metas propostas pelo presidente só serão alcançadas se os recursos disponíveis forem investidos, prioritariamente, na aquisição e construção de novas moradias. Segundo a CBIC, para que isto ocorra no segmento de Habitação de Mercado, basta repetir o perfil de investimentos do ano passado, em que aproximadamente 75% dos recursos (que correspondem, em 2006, a R$ 6,46 bilhões) foram utilizados na aquisição ou construção de novas unidades. A Câmara estima que, ao preço médio de 2005 (R$ 78,82 mil), seria possível construir, ao longo deste ano, 82 mil habitações.
No segmento de Habitação de Interesse Social, a CBIC aconselha a adequação do perfil de investimento adotado nos últimos três anos, também a fim de priorizar os investimentos na aquisição e construção de novas unidades habitacionais. Neste caso, o órgão defende a adoção de programas que incentivem financiamentos direcionados preferencialmente ao déficit habitacional.
No início do ano, o indicador de desempenho das empresas da construção saiu do patamar de estagnação em que se encontrava desde 2003. Foi o melhor resultado desde fevereiro de 2002, segundo a 26ª Sondagem da Construção. A mudança veio em linha com outro importante indicador de atividade: o emprego em obras, que, em janeiro, cresceu 4,1% na comparação com igual mês de 2005. A melhora foi acompanhada pela redução das dificuldades financeiras, cujo índice caiu 3% em relação à pesquisa de novembro e 8% em relação a fevereiro de 2005.
O estudo mostrou empresários que acreditam no bom desempenho de sua empresa em 2006. Em uma escala de 0 a 100, o indicador de perspectivas ultrapassou ligeiramente o patamar 50. Significa que, apesar das boas estimativas, o setor ainda não alimenta certezas. A percepção dos entrevistados é semelhante ao ambiente que descreviam em fevereiro de 2002, quando tentavam se recuperar da crise gerada pela crise de energia. Na época, as expectativas eram de crescimento da economia e do setor, o que não aconteceu.

Reformas ajudariam na recuperação
O professor do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Eduardo Cualharini mostra-se confiante no aquecimento do setor. Contudo, ele não acredita que somente o aumento do número de habitações seja suficiente e destaca a necessidade de fomentar a recuperação e reabilitação das antigas unidades.
"O Instituto Pereira Passos (IPP) calcula que, por mês, pelo menos 20 mil unidades completem 50 anos. O processo de recuperação destas moradias não só aumenta a geração de empregos como movimenta a venda de materiais de construção. Na Europa, 80% do movimento do setor são provenientes da reabilitação, enquanto, no Brasil, este percentual não chega a 20%", informa. Para Cualharini, com as eleições, o crescimento, que costuma ficar concentrado nos últimos meses, deve acontecer durante todo o ano de 2006, sustentando a estimativa de crescimento de 5%.

  




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