Em horror inédito no país e que revela a barbárie a que chegamos, na noite de terça-feira, 29 de novembro, cinco pessoas morreram carbonizadas e 14 ficaram feridas no atentado ao ônibus 350 (Passeio-Irajá), em Brás de Pina. A covardia extrema foi ordenada por traficantes que queriam se vingar de policiais e contou com a participação de uma menina de apenas 13 anos.
O descontrole da segurança pública no Rio já era insustentável e agora assume proporções dramáticas, com o aliciamento de jovens e crianças pelo tráfico. O livro “Crianças do tráfico”, escrito pelo antropólogo inglês radicado no Brasil Luke Dowdney, mostra que, de 1987 a 2001, o total de jovens mortos por armas de fogo no Rio foi oito vezes maior do que o verificado em territórios palestinos. Lá morreram 467 crianças e adolescentes contra 3.937 no Rio.
Isto é inaceitável. Estamos comparando a nossa cidade com uma região conflagrada pela guerra, o Oriente Médio. Não podemos mais assistir passivamente aos descalabros das autoridades, tanto estaduais, quanto federais. É preciso uma ação afirmativa, já, urgente. A população não suporta mais.