Houve um novo atraso na obra de construção do emissário submarino na Barra da Tijuca por causa de rachaduras na tubulação. Lançada com edital em 2000, em festa com fogos de artifício, organizada pelo então governador Anthony Garotinho, a promessa era de início da construção em abril de 2001 e término da obra em dois anos. Agora, o governo Rosinha prorroga mais uma vez o prazo e garante que o emissário estará pronto em abril de 2006.
Os tubos só começaram a ser assentados no ano passado. As peças saíram de Portugal, onde foram fabricadas, com previsão de chegada ao Rio dois meses depois. Um dos dutos, porém, avaliado em R$ 2 milhões, soltou-se do rebocador e perdeu-se durante a travessia da Baía de Guanabara. Só foi encontrado mais de três meses depois, em abril de 2002, no litoral de São Paulo. A demora foi tanta que a Cedae chegou a desistir de anunciar novos prazos para a chegada dos tubos. Mudanças no traçado dos dutos também complicaram a execução da obra. Em maio de 2004, durante a operação de assentamento, um dos tubos se soltou e acabou encalhado na arrebentação. Depois de viajar 35 quilômetros, desde o Caju, teve que ser rebocado de volta para o estaleiro.
Ontem, o próprio coordenador do programa de saneamento da Barra, Aldoir de Souza, veio a público admitir que, há cerca de um ano, houve dois outros acidentes com as tubulações do emissário, não divulgados pela Cedae, resultando em rachaduras.
Esta situação mostra a dramática desestruturação da máquina pública estadual. A Cedae é a única empresa estadual de águas que não consegue obter recursos federais por ser inadimplente.