O Brasil hoje quer saber que nomes serão capazes de derrotar Lula nas urnas nas eleições presidenciais. E surge a dúvida sobre quem será o candidato do PSDB: Serra ou Alckmin? Esse debate interno de um partido político tornou-se a mais importante questão nacional, tendo em vista a qualidade dos dois pré-candidatos e a gravidade do momento que vivemos.
Sabemos que é imprescindível derrotar Lula. O que não parecia tão vital, há um ano, se tornou imperativo, diante de tudo que aconteceu em 2005. Além da grave questão gerencial do país e as dúvidas sobre o próprio desempenho da economia brasileira, há os problemas comportamentais e éticos que levaram tantos a sair do governo.
As pesquisas apontam a vitória inquestionável de candidato José Serra. Não são as últimas nem serão as únicas que orientarão a decisão do nosso partido. Mas, hoje é Serra o nome que derrotaria Lula. Não posso considerar como impedimento o compromisso assumido por ele de que ficaria quatro anos na prefeitura de São Paulo porque aquele papel assinado respondia a uma campanha do PT. O objetivo era garantir mais um ano e três meses de mandato para Marta Suplicy. Se o ardil petista tivesse sido bem sucedido, seria ela, é claro, a deixar a prefeitura para disputar o governo do estado. Curiosamente, não se exigiu de Marta semelhante compromisso.
Esse episódio não pode servir de balizamento para a decisão do PSDB também porque, e mais importante, aconteceu na política brasileira um inesperado tsunami, devastador, em repetidas ondas que ainda não cessaram. O contexto da assinatura do documento por Serra não mais existe. Da mesma forma, como não existiu para o ministro Palocci, que prometeu concluir seu mandato como prefeito de Ribeirão Preto e não o fez.
Nossos dois pré-candidatos têm méritos indiscutíveis, como capacidade de liderança, experiência de administração pública, tradição política, honestidade, competência e qualidades ideológicas. Alckmin, se escolhido, será uma bela alternativa,. Entretanto, o país precisa de um grande estadista. A economia não caminha para lugar algum. A infra-estrutura está paralisada. Basta observar a queda na produção de cimento, indicador relevante do nível de atividade.
Nos últimos três anos, não se realizou uma única reforma importante da Constituição de 88. Os brasileiros são usurpados de quase 40% daquilo que produzem. Arrecada-se muito e gasta-se mal. Estamos conformados a crescer a metade do que cresce o mundo e a América Latina e um terço do que crescem os países emergentes. O país bate cabeça nos fóruns multilaterais; vive impasses no Mercosul e na Alca; perde-se numa retórica entre oca e autonomista, sem estratégia ou plano de longo prazo; o superávit primário, inédito, é de má qualidade, conseguido à custa de um sistema tributário que beira à prática confiscatória, com serviços públicos que nem remotamente compensam o que a máquina do governo, com gastos crescentes, arranca da sociedade.
O emprego, por causa do baixo crescimento, está muito atrás do que exige a sociedade; nossa política macroeconômica, dita “responsável”, a um só tempo, usa os juros para conter a inflação e o consumo e estimula mecanismos de crédito que estimulam...o consumo e a inflação; o país está à espera de uma reforma trabalhista que possa desonerar a formalização do trabalho; a Previdência, quebrada de novo, pede uma nova rodada de reformas que não pode estar descolada de um planejamento mais amplo da economia.
Não é verdade que o país demande apenas um choque gerencial, como se fosse uma empresa em que todas as condições estruturais estejam dadas, só faltando um pouco mais de competência e de bom senso. O desafio é muito maior. Como disse Reinaldo Azevedo, no site Primeira Leitura.