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29.07.2010
Nenhum país está isolado no mundo atual
Na preocupação que se instala no Brasil com os rumos da economia mundial, existem as vozes que entendem que o país pode viver sem ligação com o que acontece no resto do mundo. Refiro-me à economia e ao mercado financeiro porque relações diplomáticas e de natureza cultural existem há séculos. Em seu tempo, Getúlio Vargas, no seu segundo mandato, plantou as bases de nosso Brasil atual ao criar a Petrobras, a Eletrobrás, a CSN e o BNDES, entre tantas outras iniciativas. Depois, na década de 70, houve a política de substituição de importações e a busca da auto-suficiência universal. Hoje, temos um mundo em que canto algum do globo terrestre está isolado dos demais. Não está isolado por razões energéticas, de infra-estrutura, de necessidade alimentar, da questão ambiental e da questão econômico-financeira. É claro que tudo isso amparado num instrumento monumental: a possibilidade de comunicação instantânea e de qualidade entre todas as partes da Terra. Se é automaticamente compreensível que a questão ambiental de um país afeta outro, ainda que distante – afinal, nosso planeta, girando no espaço, abriga toda a população mundial –, é pouco visível o que acontece na cabeça dos que têm a decisão de investir e de transportar gigantescas somas de recursos financeiros e de lastro econômico entre as nações e os próprios continentes. Não é o que ocorria em meados do século passado em que tínhamos o padrão ouro, pouco a pouco o padrão dólar, e as relações internacionais se limitavam a trocas comerciais entre grandes países. Então, o Hemisfério Sul era como uma grande fazenda do mundo desenvolvido. Hoje, há indústria aonde existe a matéria-prima em condições tecnológicas de desenvolver qualquer produto. Há recursos disponíveis, concentrados em quatro ou cinco grandes endereços – no caso do Brasil, particularmente, em Nova York – que importam para gerar os investimentos, desobrigando a tomada de créditos, muitas vezes onerosos para a competitividade global. Qualquer produto tem seu valor fixado internacionalmente. No presente momento, com sobressaltos no setor financeiro, vale prevalecer a qualidade da resposta dos investimentos nos vários países. Aumenta até a importância brasileira se soubermos entender que não somos maiores apenas porque Deus nos deu as condições naturais para isso. Temos que ser um país inserido no mundo. Independente, com nossas características, nossa questão sociológica bem equacionada, nossas iniciativas muito bem definidas e produtivas. Mas, certamente também nosso sistema jurídico precisa dar segurança ao investimento estrangeiro, nossos portos e aeroportos precisam estar sempre abertos e eficientes para inspirar confiança - vai longe o tempo de D. João VI, da abertura dos portos às nações amigas - vale dizer, a Inglaterra.
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